segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A gente se esbarra sem perceber,

Permita-se desistir, esquecer o dia que passou. A gente tende a insistir em coisas incertas em busca de respostas concretas, mas apesar de tanta procura, essas respostas são inexistentes. 
Tudo agora é uma bagunça, para falar a verdade não sei mais o que quero, nem o que sou, e muito menos o que sinto. A verdade que antes dava um nó na minha garganta, agora desatou, escorregou, e qualquer resposta foi embora sem avisar, escapuliu de forma ligeira. 
Não sei nem mais como me explicar, às vezes é tão frio, que a alma chega a amortecer, e às vezes é tão quente que a alma quer gritar, mas às vezes não é nada, é vazio, escuro, é solidão, que em toda essa aglomeração humana, a solidão de cada um se esbarra sem ninguém perceber. Eu não costumava ter medo, mas do futuro eu tenho. Nos enganamos tanto, achamos que já esquecemos e que já passou, mas nunca deixamos de lembrar do que já esquecemos e jogamos em cima do outro a culpa das brincadeiras que nós mesmos aceitamos brincar. 
Mas só para você saber, porque eu sei que não vai conseguir entender, sou só uma garota bagunçada, procurando paz.


terça-feira, 8 de julho de 2014

O que restou,

Quando notamos o dia já acabou, outro mês já começou e outro ano já passou. Quando notamos percebemos que amigos já nós deixaram, o sofrimento pelos amores, sejam os singelos, os grandes, os platônicos, ou os que eram para a vida toda, já se tornou cômodo, e a saudade pelas pessoas que passaram pela nossa vida se transforma em algo abstrato.

Quando notamos passamos do ensino fundamental para o ensino médio, começamos a faculdade e nos deparamos na metade. Quando notamos já deixamos de lado as brincadeiras de criança, e as preocupações da vida cotidiana cria forma e presença, o corpo já não é uma fonte infinita, e o coração agora é uma união de milhares de unidades frágeis, e cada molécula de carbono de cada átomo e célula são as mesmas unidades que estão criando novos planetas em algum canto do espaço sem nome, e minha insignificância tornará-se linda para mim, de alguma forma inexprimível.

Já perdi a compostura e choro não pelas coisas que estava deixando, mas pelo que levo comigo, tudo pelo que lutara e perdera e uma alegria tão potente que parecia dor. Quando notamos o tempo passou tão rápido que não nos damos conta de que aquelas pessoas que nos fizeram mal se foram, e apenas restou, nós.  



segunda-feira, 7 de julho de 2014

Ainda temos nós,

Gosto de sentir seus olhos em mim quando desvio o olhar, gosto de sentir que me olha quando não estou vendo, ou quando disfarço, ou desfaço, seja lá o que for. Queria lhe desconhecer, só para poder te conhecer de novo. Queria poder voltar no tempo, sem você saber, e tentar te conquistar, só para depois voltar e te contar, do que eu faria por você. Ha uma medida que o horizonte se divide em dois, e você está no outro lado, mas se mantenho minha mente aberta, meu coração encontra você.

Quando lhe vi, todos souberam, pelo efeito que causou nos meus olhos, mas ninguém ouviu o peso das suas palavras ou sentiu o efeito que elas causaram. Quero que perca o tempo por mim, que sua causa seja efêmera. Quero que diga que vai ficar, que se eu tiver hora de ir embora, peça com carinho que eu fique um pouco mais. Que veja o dia virar noite em uma conversa careta e besta. Use a desculpa de que ainda é cedo ou ainda temos tempo sobrando, que ainda temos nós, atados, emaranhados, amarrados. Perca o tempo, o ônibus, a carteira, fala, grita, segura com força a alça da minha bolsa, mas não se perde de mim.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Por mil razões,

Uma pessoa inteira não merece uma pessoa pela metade. Um coração que antes era cheio não pode deixar que o esvaziem. Mas gradativamente, sem que você perceba ou permita, seu vazio vai aumentando. É involuntário, mas não sei porque deixamos isso acontecer. Não sei porque temos essa mania de dar mais importância aos outros do que para nós mesmos. Essa coisa de ter aceitação e aprovação alheia, que nem sempre é verdadeira. A gente se machuca pelos outros, se rala, se doa, envelhece, cria ruga e nada resolve. É demorado, mas tentar descobrir em nós mesmos o que valemos, deixamos de ser para-raios das insanidades dos outros.

Eu nunca fui como todos, nunca vi como todos viam, nunca vivi como todos viviam. E pelos mesmos motivos, e mil razões não vivi as mesmas dores nem alegrei meu coração com os mesmos amores e rumores, tudo que amei, amei sozinha. A mercê da minha insensatez, que numa tarde vazia toma meu coração solitário e se perde por ai. Perdi as contas de quantas vezes me perdi, consequentemente perdi as contas das vezes que retornei. Mas as vezes temos que engolir esse vazio e preenche-lo, tapa-lo ou esconde-lo, para descobrir algo ai dentro, descobrir que para dar amor é necessário também receber, e que a vida é uma troca, uma disputa, um truque de mágica, uma troca de solidões, preenchendo o vazio alheio, sem enxaquecas, sem remorso e sem gastrite.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Nada é justo,

Não me olha assim, pelo menos disfarça. Me olha de rabo de olho, e da um sorriso torto. Já cansei de ser assim, não me contento com esse jeito todo eu, todo meu. O meu cabelo reveste saudade e meu sorriso uma pura verdade, catatônica, um misto de susto com deslumbramento. Me dei conta que essa é a pior e a melhor fase da minha vida. Eu nunca andei tão triste e nem tão feliz. Alma inquieta, que veste mil faces, não sabe o que quer. Foi fácil enterrar tantos mortos e tantas manias de rotina,  o mais difícil, é viver dentro de mim, peço perdão e aceito julgamentos por isso.

Quantas memórias ainda cabem em mim? Nada é justo na vida real, mas é assim que as coisas são. Na maioria das vezes, você recebe o que dá. Deixe-me perguntar uma coisa, o que é pior, não consegui o tudo que planejou ou conseguir e descobrir que não é bastante? Pode me responder depois. O resto da sua vida está sendo definido nesse curto e tímido espaço de tempo, com os sonhos que te perseguem, com as decisões que precisa escolher. Não consigo lançar minhas opções ainda, e minhas explicações estão pela metade, mas o que eu queria lhe dizer, que independente de qualquer confusão, parada aqui percebi, que você fica bem usando meu futuro.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Me ache,

Anotação e caos, poesia morta.  Eu recaio demais, tenho medo que não existe e sofro com o amor calado.

Minha mente fica aflita com o vazio, minha alma se sente incendiada, e a saudade já não me veste tão bem.
Imprudente demais, não consigo ficar calada, preciso lhe falar o que meu coração teima em gritar e o que minha mente não consegue comprimir.  Mas olho pra dentro, e eu sei que fui eu quem causou isso, e me perco em olhos estranhos. Olhe para mim, com a luz apagada e me ensine a respirar. E se você se for, me ache, em silêncio.

Eu não consigo apagar, eu fico repetindo, eu penso nisso o tempo todo, e me cego. Existem luzes artificiais por todo canto, borbulham na minha cabeça. Eu ando reto, pra lá e pra cá, mas tudo parece uma eterna contra mão, tipo rua sem saída sabe? É ruim ter a sensação de não saber para onde ir. Mas eu andei  sob falsas pretensões, eu pensei que seria divertido. Não sou mais tão ingênua, e meu bem, o que você mais quer, sempre será o que vai te repartir no fim.



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Um dia seremos,

Contagem regressiva, você conta cada segundo do seu tempo, da sua vida, do que está definitivamente marcando. Existem dias incrivelmente lerdos, que demoram um século, parecidos uns com os outros, cada molécula de O2 parece que entra com uma carga extra de ansiedade e impaciência, vida enjoativa, cercada e vivida de guerras e canções de amor.
O sono não da as caras, então você geniosamente escolhe passar a noite em claro e quando o dia raiar contemplar sua face com um sombreamento roxo na parte inferior dos olhos encharcados.
Um minuto a mais, um segundo a menos, qual a diferença? Tudo parece fatal. Sonhos pequenos que nunca tem fim, imaginação revolucionaria. Agora eu sinto um medo infantil. Não me peça para entender se algo ou alguém tiver que morrer na guerra ou no amor, não me peça para fazer uma escolha.
Hoje estamos divididos, sem escolhas, em perigo. Chegamos ao fim do dia, quem diria? E ninguém parece estar lúcido o suficiente. Voltamos ao início, dando voltas, andando em círculos. Entre o fio metálico e o frio do campo de batalha. Fusão à frio. Eu sigo enfrentando a onda, correndo conta a maré e carregando nos cabelos a maresia. Mas um dia nós seremos a maioria, e então te declaro, que passamos do ponto que não há mais esquecimentos, chegamos ao ponto de nos segurar e mergulhar em nós mesmos.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Na madrugada,

Eu deveria estar dormindo, mas estou aqui, sentada com uma xícara de café sobre a mesa, escrevendo mais palavras de saudade. É difícil dormir quando seu quarto está em silêncio, mas sua mente tá tão alta, talvez porque tenha algo se paralisando em algum nome.

Já cansei, está tarde, me traz mais uma taça de vinho, por favor, enquanto tiro meus sapatos, enquanto conto meus casos e solto o cabelo. Ando cansada de bagagens pesadas. Daqui para frente apenas o que couber no bolso e no coração.

Há dias que tua lembrança me invade, durante noites vazias, ou até as perturbadas, formo teu rosto em figuras deformadas, em frases conjugadas, então deixo tudo onde está e saio para deitar na calçada em frente de casa. Não me importo com os olhares de surpresa, repentinos no meio da madrugada. E eu garanto que enquanto viajo na imensidão e no labirinto das minhas ideias, assim como eu, alguém está em plena madrugada, numa calçada, sentindo falta, agora.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Já não sei,

A boca sorri em silêncio, o cérebro tenta parar o tempo, talvez sejamos nós dois, talvez só não sejamos mais, e não precisa fazer sentido, entreguei o caso para o acaso. Já perdi a pose, e rio sem notar, tua gargalhada virou melodia, e desatei o nó que me prendia, num desatino, num desafio. Aceito cada escolha, você não pode escolher quem vai te ferir, quem vai te fazer chorar ou te fazer querer reinventar-se, você não pode fugir sem saber o motivo.

Já não sei manter a elegância, ou segurar os verbos que antes eram meticulosamente escolhidos, agora eles fluem, transbordam. Já não uso as mesmas roupas, não me visto de saudade, e agora parece tudo tão familiar. Mas eu não te conheço, só andei com você uma vez num sonho, e eu sei o que irá fazer e temo isso, do jeito que fez num sonho. Não quero cometer a loucura de acordar agora, tenho medo da lucidez da minha mente quando despertar-se. Outra mente e outra alma, outra lágrima e outro grito, não me deixe acordar agora, e se assim for, me beije, no silêncio.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Enfim entendo,

 Não sei viver em partes, não sei viver em pedaços ou com pedaços, gosto de inteiro, de pessoas e amores ao completo, não sei viver pela metade, eu transbordo. Sou uma romântica, não sou adepta a previsões do tempo, não gosto de ensaios, não leio sinopses e não vou te exigir os detalhes (quero desvendar só), não gosto de absolutismo e unanimidade, não posso optar por só uma razão, e acho impossível bolar só uma explicação, acho incrível o ideal de mudança, mas não de uma vez, dividido em várias vezes para mudar aos pouquinhos, para não descobrir que coisas minhas já não estão mais lá, e quem roubou, eu jamais vou saber. 

O sorriso mudou e a vontade varia muito. Às vezes me pego olhando ao redor procurando alguém parecido comigo, e são tantos sentimentos à espreita gritando de boca calada e sentindo frio na pele seca. Não sei se seria o mais justo se eu tivesse continuado secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas não consigo, não quero cometer o ímpeto de ser triste só para mostrar que um dia fui, ou no fundo achei que havia sido plenamente feliz. E entendi que sofrer não torna mais poético, e por mais que você queira para que fiquem onde estão, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer. Mas sempre vou ser grata por ter a opção de tentar, me inventar, de mudar, de descobrir alguém, me ajeitar, e me espalhar sem linhas.