terça-feira, 8 de julho de 2014

O que restou,

Quando notamos o dia já acabou, outro mês já começou e outro ano já passou. Quando notamos percebemos que amigos já nós deixaram, o sofrimento pelos amores, sejam os singelos, os grandes, os platônicos, ou os que eram para a vida toda, já se tornou cômodo, e a saudade pelas pessoas que passaram pela nossa vida se transforma em algo abstrato.

Quando notamos passamos do ensino fundamental para o ensino médio, começamos a faculdade e nos deparamos na metade. Quando notamos já deixamos de lado as brincadeiras de criança, e as preocupações da vida cotidiana cria forma e presença, o corpo já não é uma fonte infinita, e o coração agora é uma união de milhares de unidades frágeis, e cada molécula de carbono de cada átomo e célula são as mesmas unidades que estão criando novos planetas em algum canto do espaço sem nome, e minha insignificância tornará-se linda para mim, de alguma forma inexprimível.

Já perdi a compostura e choro não pelas coisas que estava deixando, mas pelo que levo comigo, tudo pelo que lutara e perdera e uma alegria tão potente que parecia dor. Quando notamos o tempo passou tão rápido que não nos damos conta de que aquelas pessoas que nos fizeram mal se foram, e apenas restou, nós.  



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