quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Na madrugada,

Eu deveria estar dormindo, mas estou aqui, sentada com uma xícara de café sobre a mesa, escrevendo mais palavras de saudade. É difícil dormir quando seu quarto está em silêncio, mas sua mente tá tão alta, talvez porque tenha algo se paralisando em algum nome.

Já cansei, está tarde, me traz mais uma taça de vinho, por favor, enquanto tiro meus sapatos, enquanto conto meus casos e solto o cabelo. Ando cansada de bagagens pesadas. Daqui para frente apenas o que couber no bolso e no coração.

Há dias que tua lembrança me invade, durante noites vazias, ou até as perturbadas, formo teu rosto em figuras deformadas, em frases conjugadas, então deixo tudo onde está e saio para deitar na calçada em frente de casa. Não me importo com os olhares de surpresa, repentinos no meio da madrugada. E eu garanto que enquanto viajo na imensidão e no labirinto das minhas ideias, assim como eu, alguém está em plena madrugada, numa calçada, sentindo falta, agora.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Já não sei,

A boca sorri em silêncio, o cérebro tenta parar o tempo, talvez sejamos nós dois, talvez só não sejamos mais, e não precisa fazer sentido, entreguei o caso para o acaso. Já perdi a pose, e rio sem notar, tua gargalhada virou melodia, e desatei o nó que me prendia, num desatino, num desafio. Aceito cada escolha, você não pode escolher quem vai te ferir, quem vai te fazer chorar ou te fazer querer reinventar-se, você não pode fugir sem saber o motivo.

Já não sei manter a elegância, ou segurar os verbos que antes eram meticulosamente escolhidos, agora eles fluem, transbordam. Já não uso as mesmas roupas, não me visto de saudade, e agora parece tudo tão familiar. Mas eu não te conheço, só andei com você uma vez num sonho, e eu sei o que irá fazer e temo isso, do jeito que fez num sonho. Não quero cometer a loucura de acordar agora, tenho medo da lucidez da minha mente quando despertar-se. Outra mente e outra alma, outra lágrima e outro grito, não me deixe acordar agora, e se assim for, me beije, no silêncio.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Enfim entendo,

 Não sei viver em partes, não sei viver em pedaços ou com pedaços, gosto de inteiro, de pessoas e amores ao completo, não sei viver pela metade, eu transbordo. Sou uma romântica, não sou adepta a previsões do tempo, não gosto de ensaios, não leio sinopses e não vou te exigir os detalhes (quero desvendar só), não gosto de absolutismo e unanimidade, não posso optar por só uma razão, e acho impossível bolar só uma explicação, acho incrível o ideal de mudança, mas não de uma vez, dividido em várias vezes para mudar aos pouquinhos, para não descobrir que coisas minhas já não estão mais lá, e quem roubou, eu jamais vou saber. 

O sorriso mudou e a vontade varia muito. Às vezes me pego olhando ao redor procurando alguém parecido comigo, e são tantos sentimentos à espreita gritando de boca calada e sentindo frio na pele seca. Não sei se seria o mais justo se eu tivesse continuado secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas não consigo, não quero cometer o ímpeto de ser triste só para mostrar que um dia fui, ou no fundo achei que havia sido plenamente feliz. E entendi que sofrer não torna mais poético, e por mais que você queira para que fiquem onde estão, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer. Mas sempre vou ser grata por ter a opção de tentar, me inventar, de mudar, de descobrir alguém, me ajeitar, e me espalhar sem linhas.