quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Já não sei,

A boca sorri em silêncio, o cérebro tenta parar o tempo, talvez sejamos nós dois, talvez só não sejamos mais, e não precisa fazer sentido, entreguei o caso para o acaso. Já perdi a pose, e rio sem notar, tua gargalhada virou melodia, e desatei o nó que me prendia, num desatino, num desafio. Aceito cada escolha, você não pode escolher quem vai te ferir, quem vai te fazer chorar ou te fazer querer reinventar-se, você não pode fugir sem saber o motivo.

Já não sei manter a elegância, ou segurar os verbos que antes eram meticulosamente escolhidos, agora eles fluem, transbordam. Já não uso as mesmas roupas, não me visto de saudade, e agora parece tudo tão familiar. Mas eu não te conheço, só andei com você uma vez num sonho, e eu sei o que irá fazer e temo isso, do jeito que fez num sonho. Não quero cometer a loucura de acordar agora, tenho medo da lucidez da minha mente quando despertar-se. Outra mente e outra alma, outra lágrima e outro grito, não me deixe acordar agora, e se assim for, me beije, no silêncio.


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