Eu deveria estar dormindo, mas estou aqui, sentada com uma
xícara de café sobre a mesa, escrevendo mais palavras de saudade. É difícil
dormir quando seu quarto está em silêncio, mas sua mente tá tão alta, talvez
porque tenha algo se paralisando em algum nome.
Já cansei, está tarde, me traz mais uma taça de vinho, por favor, enquanto tiro meus sapatos, enquanto conto meus casos e solto o cabelo. Ando cansada de bagagens pesadas. Daqui para frente apenas o que couber no bolso e no coração.
Há dias que tua lembrança me invade, durante noites vazias, ou até as perturbadas, formo teu rosto em figuras deformadas, em frases conjugadas, então deixo tudo onde está e saio para deitar na calçada em frente de casa. Não me importo com os olhares de surpresa, repentinos no meio da madrugada. E eu garanto que enquanto viajo na imensidão e no labirinto das minhas ideias, assim como eu, alguém está em plena madrugada, numa calçada, sentindo falta, agora.

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