quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Raiva

A raiva é mesmo um sentimento primitivo e sem dúvida um dos mais ordinários! Um dos mais procurados, aplicados, investidos e atuados. Serve como uma camuflagem para as emoções, que eu poderia denominar, complicadas. É obvio que todos sabem como é difícil expressar sentimentos inquietantes como a frustração, medo e rejeição sem se deixar embriagar pela ira.

Na verdade podemos colocar a raiva como uma fuga para os descontrolados e covardes, os que fogem da compreensão. Porque é muito mais simples encenar uma explosão de sentidos que compreender, engolir sapos, e escolher o caminho responsável e efetivo que demanda autodomínio.

Mas a explosão não é só uma reação involuntária, muitos escolhem a raiva como um meio de conseguir o que deseja, seja para controlar o comportamento alheio, atrair atenção, evitar alguma responsabilidade, para se sentir importante, ou simplesmente para obter coragem, já que muitas vezes a raiva leva a ação.

Segundo pesquisas feitas por sociólogos nós temos seis necessidades emocionais básicas, a confiança, a novidade, o amor, conhecimento, importância e contribuição. Assim se, ainda que inconsciente, em algum momento a pessoa raivosa se que conta que tendo um ataque alcança pelo menos três das necessidades básicas, então ela acaba viciada nesse comportamento. E nisso concluímos que o mundo esta empesteado de viciados.

Claro, ninguém vive o tempo inteiro irado, se não nosso meio social seria um perfeito caos. São determinadas situações que disparam o gatilho, especialmente aqueles em que a pessoa não aceita entender uma situação ou quando se sente sem poder, enfraquecida.

A raiva é quase sempre uma invocação de poder. E poder é mesmo uma coisa complicada, porque quanto menor ele seja, maior a vontade de exercitá-lo.

Mas de todo modo, concordamos que a raiva não pode ser usada como uma lança apontada para a vida, nem tampouco deve ser abafada ou suprida. Melhor e mais efetivo é saber escolher nossas relações. Culpar todos nunca faz ninguém feliz, já controlar a raiva em transmutá-la em força motriz!

Seguir o impulso imediato vai ser sempre mais fácil. Mas não adianta nada varrer uma escada pelo degrau de baixo.

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