sábado, 4 de dezembro de 2010

Estabanados

Escorrego, derrubo sem querer, tropeço, caio, provoco um mau jeito no tornozelo, roxos esverdeados que misteriosamente ganham espaço na pele claramente branca, desastrada, estabanada, aparentando ter duas faces, uma contagiando calma e outra transbordando inquietação, logo tornando-me ligeiramente um desastre.

Estabanados, me incluo nesse grupo sim senhor. Para nós é uma tarefa difícil controlar o entusiasmo, mesmo tentando parecer calmos e educados, de uma forma impressionante é possível queimar a língua, derrubar talher, bater no copo de refrigerante, tropeças na escada ou num vaso de flor.

Mas cá para nós, ter tanta calma chega a ser sem graça, mas não que seja lindo sair derrubando tudo que esta na sua frente.

Olhando por outro lado o sujeito calmo pensa em fazer tudo direito e espera tranquilamente por uma oportunidade, de um emprego, ou pela oportunidade de sair para um encontro que ainda não ganhou uma resposta definitiva de quem recebeu o convite. Já o estabanado não se preocupa em fazer direito, o que ele quer é fazer de todo o jeito, o que aumenta a probabilidade de alcançar o que é desejado (ou não).

Estabanados não têm calma (claro), são gulosos sobreviventes, que normalmente enfiam os pés pelas mãos, porque acreditam, sinceramente, que todo dia é dia de fazer algum estrago.

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