Onde está minha voz? Acho que nem eu mesma consigo
escuta-la, tanto barulho, tanta confusão, aqui e ali, dentro e fora. Tenho
minhas próprias ideias, meus planos e ideais, mas não sei verbaliza-los, então
mais uma vez, mais uma noite, com a mesma xícara de chá e com o mesmo olhar
soturno, me observo enterrando a cara em livros despretensiosamente e tentando
desabafar em folhas de papel, pela seguinte crença de que o papel seria mais
paciente que as pessoas.
Durante todos esses anos me escondi dentro de mim,
transformei meus amores em memórias, em que ninguém os veria, onde os olhos
nunca se fecham, nem choram, onde nossos corações nunca estiveram partidos e o
tempo é eterno, onde meu passado é minha herança e permanece intacto, onde
qualquer mudança é somente minha. Mas o tempo com teu esplendor e incontestável
ardileza sempre surge com a possibilidade da mudança, mostra que nossa base é
forte, causa um rebuliço e te pega de surpresa quando menos imagina. E para
minha felicidade essas surpresas são as que me tiram da minha rotina psíquica,
e que enchem o coração de alegria de agora ver que minha voz voltou e o que
sempre esperei está na minha frente.

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