Lá estava ela, sentada na beira da poltrona, porque se sentia inquilina demais para sentar-se confortavelmente. Como se não pertencesse aquele lugar. Se olhar nos olhos dela, é completamente visível a sua bagunça. Teu cabelo bagunçado, tuas palavras confusas, seus cílios emaranhados e sua boca sem palavras. Garganta apertada, sufocada pelos versos que não disse, pelas verdades meticulosamente escondidas e então olhar cabisbaixo, só para você não ver minha bagunça. Te juro, ela não é muito confortável, por mais que eu adore a sua, e adore desengasgar teus verbos não ditos. Mas quem sabe você um dia ame minha, e por mais que isso seja uma baita confusão, vou de fininho, de pontinha de dedo, pra você não cair na tua sensatez, pra te pegar num olhar desprevenido, pra que você olhe minha bagunça. E quem sabe, para que uma hora, você queira ficar.
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